Joseph Boulogne, o “Mozart” Negro

O hoje praticamente desconhecido Joseph Boulogne, Chevalier de Saint-George (1745 – 1799), foi um exímio compositor do período Clássico, nascido em Gadalupe, e que passou grande parte da vida na França.

Joseph era filho de George Bologne de Saint-Georges, um próspero proprietário de terras, e sua mãe era uma das escravas do pai, chamada Nanon, da qual infelizmente se sabe pouco.

Boulogne tornou-se um grande compositor, um dos primeiros músicos da Europa conhecido pela ascendência africana. Boulogne foi um dos grandes nomes do Classicismo na música, e influenciou o compositor que hoje é considerado o maior nome do período: Wolfgang Amadeus Mozart.

Contudo, Boulogne ficou conhecido de modo ingrato como o “Mozart Negro”, já que foi Boulogne o influenciador, e não o influenciado. Tal falta de reconhecimento foi infelizmente comum com muitos artistas negros, e se perpetua até hoje.

Aos 7 anos, o pequeno Joseph foi levado pelo pai de Guadalupe para a França, para receber o melhor do que a educação da época poderia oferecer. Presume-se que Nanon, sua mãe, tenha se mudado para a França com eles, de modo discreto. Outras fontes dizem que teria sido abandonada. De concreto sabe-se pouco.

Joseph era um estudante brilhante, e além da música, destacava-se na dança e na esgrima. Na esgrima, também foi apelidado com um nome branco: Boëssière Mulato, em alusão a um famoso esgrimista.

Aos 23, foi considerado inimitável na arte do violino, por conta de sua habilidade técnica excepcional. Celebrado por uns, odiado por outros, Joseph foi indicado com diretor musical da Ópera de Paris em 1776. Apesar dos protestos para que fosse impedido de assumir o cargo, por conta do racismo, Boulogne foi um dos nomes mais célebres da França do século 18.

Celebridade respeitada no século 18, Joseph Boulogne caiu no esquecimento a partir do século 19. A genialidade do compositor foi resgatada somente em 1974, pelo violinista Jean-Jacques Kantorow, que apresentou as primeiras gravações de sua obra ao mundo, reconstituindo uma figura fundamental na história da música.

Sua música vibrante, bela e de extremo primor técnico é a encarnação da estética da música do século 18.

Mesmo assim, Boulogne segue fora do repertório das orquestras pelo mundo.

De Joseph Boulogne, separamos os concertos para violino, instrumento que dominou como poucos.

Boa audição!

Lo-fi Hip Hop: por que o gênero é tão legal?

Quem me apresentou o lo-fi foi um menino com quem eu ficava em 2018. A paixão foi-se embora, mas é impossível que eu não sorria com muito carinho e lembre dele quando ouço meu lofizinho. Terminamos amigavelmente nutrindo carinho um pelo outro, e isso contribui para que eu consiga ouvir lo-fi e gostar tanto até hoje.

Com uma batida calma e nostálgica, o lo-fi hip hop é basicamente o contrário do hip hop tradicional, que tem batidas rápidas e mais agressivas. É o tipo de música para se ouvir à noite, sozinho no quarto, e é justamente esse tipo de sentimento que o lo-fi evoca.

Você provavelmente já deve ter se deparado com o lo-fi navegando pelo YouTube. O gênero nasceu nos ano 80, com gravações caseiras, e por isso com qualidade inferior às gravações de estúdio, e esse é justamente um dos charmes do lo-fi.

O lo-fi tem várias correntes, e mistura elementos de música eletrônica, ambiente, jazz, além de inserir partes faladas de programas de televisão e sons da natureza e de trânsito, além de ocasionalmente ser possível ouvir algumas passagens de música erudita, como das Gymnopédies de Satie, tudo isso em uma vibe calma, relaxante e introspectivas.

As playlists no YouTube sempre vem com algum desenho no vídeo, o que faz aumentar a nostalgia da infância e dos bons e velhos tempos em que éramos felizes e não sabíamos. Com seu tom urbano e calmo, como um passeio de carro de madrugada pela cidade, o lo-fi nos relaxa quase que automaticamente depois de um dia corrido e cheio de estímulos, e talvez seja isso que faça o gênero ser tão apaixonante.

Há diversas playlists de lo-fi no YouTube, e até transmissões ao vivo 24/7, com canais especializados no gênero. Aprecie sem moderação.

Chico Bernardes: a nova joia da música brasileira

De uma família de músicos, o jovem Chico Bernardes, de 20 anos, é a nova joia preciosa da música brasileira. Irmão de Tim Bernardes e filho de Maurício Pereira, ambos músicos talentosos, Chico segue a genialidade da família, mas com linguagem própria.

Seu álbum “O Espelho”, lançado em 14 de junho de 2019 e disponível no Spotfy, revela um músico de linguagem elegante e poética. Com 10 faixas, o álbum esbanja sensibilidade, experimentação e maturidade.

Confira o clipe de “Um Astronauta”, música que estreou o álbum, no canal do próprio Chico: