Lustre Gabriel: design contemporâneo no coração de Versailles

Construído no século XVII pelo extravagante rei Luís XIV, o Palácio de Versailles é objeto de fascínio desde a sua construção.

Este tradicional palácio barroco tornou-se o lar de uma peça importante do design contemporâneo: o Lustre Gabriel, assinado pelos célebres irmãos Ronan et Erwan Bouroullec e fruto de três anos de trabalho.

Mesmo com mais de 500 quilos, o Lustre Gabriel transpassa leveza e delicadeza, suspenso como um colar em um dos vários ambientes do palácio. Esta mistura entre o contemporâneo e o barroco tornou o lustre motivo de admiração, tornando-se um ponto focal inegável diante da suntuosidade clássica que o cerca.

Feito em cristais da Swarovski, o lustre tem 12 metros, e seu nome é uma homenagem a Ange-Jacques Gabriel, arquiteto que trabalhou para Luis XV. O lustre ainda sustenta a responsabilidade de ser a primeira peça contemporânea a habitar Versailles permanentemente.

As exuberantes joias de Jean Schlumberger

Conhecido especialmente por seu trabalho na renomada Tiffany & Co., na qual tinha acesso às melhores pedras, Jean Schlumberger desenvolveu joias exuberantes inspiradas na natureza.

Seu trabalho, marcado por uma curiosidade aguçada e grande inventividade, é considerado inigualável.

Suas criações ornaram grandes figuras do século XX, como Greta Garbo, a Princesa Marina da Grécia e Dinamarca, Wallis Simpson, Elizabeth Taylor e Audrey Hepburn.

Schlumberger nasceu na França, em 1907, em uma família de artesãos têxteis, o que contribuiu com seu desenvolvimento artístico.

Suas criações muitas vezes possuem estruturas intrincadas e fidelidade às formas de suas inspirações na natureza, revelando um altíssimo primor técnico e artístico.

As incríveis ilustrações botânicas de Maria Sibylla Merian

Maria Sibylla Merian foi uma naturalista e ilustradora científica alemã, que trabalhou com ilustrações detalhadas e de altíssima qualidade de plantas e animais durante o período barroco.

Meriam nasceu em 1647, na Alemanha, e contra as convenções sociais, dedicou-se à ciência e a ilustração, estimulada pelo padrasto, Jakob Marell, que era famoso por suas pinturas de flores.

Seus cadernos, nos quais ilustrava os espécimes que observava, foram o fio condutor de seu primeiro livro, publicado quando tinha 28 anos, em 1675, sob o nome de “Neue Blumenbuch” (“Novo livro de flores”), no qual as flores são reproduzidas de forma bastante detalhada. Os dois últimos volumes do livro foram publicados em 1677.

Gilvan Samico: a xilogravura nordestina ao grau máximo

Gilvan Samico nasceu em 1928, no Recife. Sua primorosa criação artística é voltada para a cultura popular nordestina, encontrando sua expressão mais marcante na xilogravura, realizando assim um trabalho de incomensurável valor artístico e cultural.

Na adolescência, após dois empregos frustrados, Gilvan obteve autorização do pai para estudar artes, que percebeu a habilidade em ilustração do jovem.

Gilvan estudou xilogravura com Lívio Abramo, em 1952, outro gigante da técnica. Posteriormente, lecionou xilogravura na Universidade Federal da Paraíba.

Aliando suas influências expressionistas com a cultura nordestina, a obra de Gilvan é considerada das mais importantes no ramo da xilogravura. O artista têm obras no MoMA, em Nova York, e foi premiado na Bienal de Veneza, da qual participou duas vezes.

Suas xilogravuras retratam a cultura nordestina, seu cotidiano, lendas e narrativas populares, além de animais e seres fantásticos, revelando uma obra de extremo refinamento e primor técnico, das mais importantes da xilogravura brasileira.

“Pescadores”, gravura em placa de gesso.
“Ciclistas”, xilogravura.
“Leitura na Praça”
“Homem e Cavalo”, xilogravura
“Menina dos Currupios”, xilogravura
“A Mão”, xilogravura
“Mulheres e Peixe”, xilogravura
“Mulher e Pássaro”, xilogravura
“Três Mulheres e a Lua”, xilogravura
“A Mulher com Espelho”, xilogravura
“Ciclistas”, xilogravura

Os mais belos casais da História da Arte

Aaah, o amor! Preparamos uma lista com 21 quadros de diferentes períodos que ilustram esse sentimento tão sublime. Prepare-se para muitas cenas de beijos, companheirismo, sofrimento, tragédia e lirismo com alguns dos casais mais marcantes da história da arte.

1. “Beijo”, Edvard Munch, 1896

2. “Amor”, Martios Sarian, 1906

3. “O Beijo”, Gustav Klimt, 1907-08

4. ” Dans le Lit, le Baiser”, Toulouse-Lautrec, 1892

5. “A Morte de Jacinto”, Jean Broc, 1801

6. “Dois Amantes” (fragmento), Vincent van Gogh, 1888

7. “Amantes da Rua”, Pablo Picasso, 1900

8. “O Sono”, Gustave Courbet, 1866

9. “Amantes na Biblioteca”, E. L. Kirchner, 1930

10. “Beijo”, Vsevolod Maksymovych, 1913

11. “Amantes Azuis”, Marc Chagall, 1914

12. “Nus Entrelaçados”, Pablo Picasso, 1905

13. “Sappho e Erinna em um Jardim de Mytilene”, Simeon Solomon, 1864

14. “Homem dormindo e mulher sentada”, Pablo Picasso, 1942

15. “Casal Descansando”, E. L. Kirchner, s.d

16. “Depois do Amor”, Marcel Duchamp, 1968

17. “Apolo e Ciparisso”, Claude Debufe, 1821

18. “O Beijo”, Rafael Zabaleta, s.d

19. “O Baile Elegante”, Marie Laurencin, 1913

20. “Amantes no Campo de Feno”, Albrecht Dürer, 1508

21. “O Beijo”, Francesco Hayez, 1859

As 5 versões de “O Grito”, de Edvard Munch

¨O Grito”, do pintor norueguês Edvard Munch é uma das obras mais importantes do movimento expressionista, e de tão conhecido, tornou-se um ícone da cultura popular, simbolizando a angústia do ser humano moderno e recebendo inúmeras releituras.

O que pouca gente sabe é que Munch pintou cinco versões da obra, em diferentes anos e com diferentes técnicas. A versão mais conhecida mundialmente é a segunda, pintada em 1893, mesmo ano do primeiro esboço da obra.

Fortemente expressiva, a obra retrata o sentimento de angústia e desespero de uma figura, que tem como fundo a doca de Oslofjord, em Oslo. A atenção a sensações de angústia foi tema de diversas obras do pintor, motivado por sua própria vida turbulenta.

1. 1893, papel sobre cartão, é a primeira versão.

2. 1893, óleo, pastel e têmpera sobre cartão. É a versão mais conhecida.

3. 1895, litografia sobre papel. Foram feitas 45 cópias a partir da pedra original.

4. 1895. Pastel sobre cartão. Vendida por US$ 120 milhões em 2012.

5. 1910, guache sobre cartão. Roubada em 2004 e recuperada dois anos depois.

Antecedentes: “Desespero”, de 1892.

“Desespero” (1892)

As condições psicológicas sempre atraíram a atenção de Munch. Em “Desespero”, de 1892, temos um exemplo disso com um quadro semelhante à serie ” O Grito”. Com uma paleta de cores semelhantes, temos uma figura um pouco mais definida, embora os detalhes de sua fisionomia não sejam visíveis. Tal como em “O Grito”, há duas figuras ao fundo, com chapéus. O corrimão, atravessando o quadro na diagonal e desaparecendo na perspectiva, é um item constante em diversas obras de Munch, tanto anteriores quanto posteriores a “O Grito”.

“Ansiedade”, de 1894, pintada depois das duas primeiras versões de “O Grito” também tem semelhança com esta sequência de quadros, pela paleta, fundo e descrição psicológica. Contudo, desta vez as figuras arranjam-se de modo diferente, todas voltadas para o espectador.

“Ansiedade” (1894)

Possível inspiração peruana

Alguns estudiosos da história da arte acreditam que a inspiração para a pose e caráter andrógino de “O Grito” venham de uma antiga múmia peruana exibida em 1899, na Exposição Universal de Paris e no Museu de História Natural de Florença. Especula-se que o pintor tenha visto a múmia em Florença.

A múmia peruana também foi marcante para o pintor Paul Gaugin, que fez referência à pose da múmia em mais de 20 trabalhos.

Releituras na cultura popular

A máscara do filme “Scream”, de 1996 foi inspirada nas pinturas de Munch. A pintura também serviu para inspirar o visual de alienígenas em outras produções cinematográficas, como em “Doctor Who”.

A arte de Charlotte Salomon

Charlotte Salomon nasceu em 1917, em Berlim, e morreu grávida e muito cedo, aos 26 anos, no campo de concentração de Auschwitz, para onde foi deportada por ser judia. Sua obra veio a público a partir de 1960, revelando as esperanças, sofrimentos e ambições artísticas de Charlotte durante a guerra.

Entre 1941 e 1943, Charlotte escondeu-se no sul da França, onde pintou por volta de 769 obras, antes de ser deportada e morta.

Em 1936, venceu um concurso de pintura que possibilitou que estudasse artes por dois anos, até que o endurecimento da política antissemita de Hitler fez com que seus estudos fossem prejudicados, tornando o país cada vez mais perigoso para incontáveis judeus. Então, a família decidiu deixar a Alemanha e refugiar-se na França em 1938, após os ataques da Noite dos Cristais.

Charlotte e os avós.

Na França, Charlotte viveu sob a proteção de um americano que oferecia abrigo a vários judeus, especialmente crianças, até mudar-se com os avós para Nice.

Sua arte é marcada pela intensidade das cores e pela predominância da guache, além do uso do texto como meio de expressão pictórica. Sua série “Leben? oder Theater?” revela detalhes de sua família e amigos, seus sentimentos, o contexto da guerra, seu relacionamento com os pais, entre outras temáticas, tornando-se praticamente um documentário pessoal e de suas referências culturais.

Autorretrato. 1940, guache sobre papel cartão.

Repleta de referências da literatura, poesia e música, suas pinturas refletem o ideal wagneriano da “obra de arte total”, corrente artística alemã do século XIX, que tinha por objetivo a fusão da poesia, música e artes visuais.

Suas pinturas finais foram tornando-se mais intensas e violentas, tendo em vista o terror causado pelo regime nazista.

Noite dos Cristais

Com quantos paus se faz uma canoa? A fotografia de Todd McLellan

Um dos fascínios do fotógrafo Todd McLellan é esmiuçar os componentes de produtos comuns e transformar sua curiosidade em arte. A desmontagem dos artefatos deu origem à impressionante serie fotográfica “Things Come Apart”, que nos assombra pela quantidade de peças nos artefatos, ao mesmo tempo que satisfaz nossa curiosidade por saber como as coisas são feitas.

Além de extrair uma poética dos objetos cotidianos ao desmembrá-los em suas menores porções, a série também causa a reflexão sobre os impactos da produção industrial no ambiente, com o ciclo de extração, produção, distribuição e descarte.

A série também está disponível no livro “Things Come Apart: A Teardown Manual for Modern Living”, publicado pela Thomas & Hudson, que conta com mais de 170 imagens coloridas do trabalho do fotógrafo, tão interessante para quem gosta de fotografia e design de produto. No Brasil, está disponível na Amazon, que importa a obra.

Chama a atenção a complexidade dos objetos que usamos de modo corriqueiro, sem pensar muito sobre eles, nos fazendo refletir sobre a técnica por trás deles, bem como alternativas de produção sustentáveis e com uso reduzido e reutilizado de materiais.

A Dama Dourada

Durante a Segunda Guerra Mundial, os nazistas roubaram várias obras de arte, muitas delas perdidas até hoje. No filme “A Dama Dourada”, temos o caso real da luta de Maria Altmann, interpretada por ninguém menos que Helen Mirren, que tenta rever os quadros de sua família tomados pelos nazistas.

O quadro em questão é um retrato da tia de Maria, Adele. Mas não um retrato comum, e sim um fabuloso quadro pintado por Gustav Klimt, em todo o esplendor de sua icônica fase dourada.

Para quem prefere ler antes, também há um livro sobre o filme, de mesmo nome e que retrata em detalhes a vida da família Bloch-Bauer e toda a decadência de Viena durante a Segunda Guerra.

Retrato de Adele Bloch-Bauer I . Gustav Klimt, 1907.

Maria, que vive em Los Angeles e tem uma modesta loja de roupas, decide entrar com um processo contra o governo austríaco para recuperar o quadro da tia. Sua família austríaca era muito abastada, e tal como muitos judeus, teve suas posses confiscadas durante a Segunda Guerra Mundial.

Para isso, Maria conta com a ajuda do advogado Randol Schoenberg. Randol não era um grande advogado, e passava por vários problemas pessoais. Mesmo assim, persiste no caso mais por respeito por Maria, que é amiga da família, do que por realmente acreditar que a obra de importância incomensurável possa realmente ser recuperada.

A verdadeira Maria Altmann.

Randol, tal como Maria, é descendente de austríacos, e também de um artista importantíssimo: o compositor Arnold Schoenberg, da magistral “Noite Transfigurada”.

Um dos pontos mais interessantes do filme é retratar duas pessoas comuns com antepassados gloriosos tentando reaver suas próprias histórias. E o filme não é daquelas batalhas judiciais entediantes e sem fim, e sim é bastante dinâmico, com flashbacks para a época da guerra que são de tirar o fôlego, como na cena da fuga de avião, que faz o coração saltar.

Adele é de arrancar suspiros, e todo o ambiente luxuoso e cultural da família é memorável, em uma atmosfera que lembra e muito a aura dourada dos quadros de Klimt. Além disso, a atriz também é muito parecida com a Adele verdadeira.

Infelizmente o filme não tem uma boa nota nos sites sobre cinema, o que é bastante injusto, já que é bem feito e emocionante, e certamente encantará os amantes da arte e dos filmes de guerra. Apesar das críticas negativas, vale muito a pena ser assistido.

Helen Mirren como Maria