Gilvan Samico: a xilogravura nordestina ao grau máximo

Gilvan Samico nasceu em 1928, no Recife. Sua primorosa criação artística é voltada para a cultura popular nordestina, encontrando sua expressão mais marcante na xilogravura, realizando assim um trabalho de incomensurável valor artístico e cultural.

Na adolescência, após dois empregos frustrados, Gilvan obteve autorização do pai para estudar artes, que percebeu a habilidade em ilustração do jovem.

Gilvan estudou xilogravura com Lívio Abramo, em 1952, outro gigante da técnica. Posteriormente, lecionou xilogravura na Universidade Federal da Paraíba.

Aliando suas influências expressionistas com a cultura nordestina, a obra de Gilvan é considerada das mais importantes no ramo da xilogravura. O artista têm obras no MoMA, em Nova York, e foi premiado na Bienal de Veneza, da qual participou duas vezes.

Suas xilogravuras retratam a cultura nordestina, seu cotidiano, lendas e narrativas populares, além de animais e seres fantásticos, revelando uma obra de extremo refinamento e primor técnico, das mais importantes da xilogravura brasileira.

“Pescadores”, gravura em placa de gesso.
“Ciclistas”, xilogravura.
“Leitura na Praça”
“Homem e Cavalo”, xilogravura
“Menina dos Currupios”, xilogravura
“A Mão”, xilogravura
“Mulheres e Peixe”, xilogravura
“Mulher e Pássaro”, xilogravura
“Três Mulheres e a Lua”, xilogravura
“A Mulher com Espelho”, xilogravura
“Ciclistas”, xilogravura

Série fotográfica de brasileiro mostra o céu de Hong Kong emoldurado por prédios

O fotógrafo brasileiro Dietrich Herlan retratou o céu de Hong Kong emoldurado pelos seus imensos prédios, como se fossem grandes molduras muito maiores que seus quadros.

A série, chamada Densidade Urbana, não mostra apenas a interessante moldura de prédios, mas também se atenta a outras características de Hong Kong, como a imensidão, perspectiva e densidade.

O céu emoldurado talvez seja a característica que mais chame a atenção, por sua simetria, pelos formatos curiosos que formam, e pelo sentimento de pequenez e solidão diante destas estruturas gigantes que se erguem em direção ao céu, quase ocultando-o.

Debret e o Brasil: um livro épico

Uma das coisas interessantes de se fazer no livro é identificar locais conhecidos (já que Debret viajou por diversas partes do Brasil) e perceber a mudança da paisagem, e em alguns casos, verificar que os prédios e elementos naturais ainda estão por lá.

O livro

Publicado pela Editora Capivara, especializada em arte e temas brasileiros, o livro “Debret e o Brasil”, de Júlio Bandeira e Pedro Corrêa do Lago, traz a produção completa de Jean-Baptiste Debret nos 15 anos em que trabalhou no Brasil, entre 1816 e 1831.

Faltam adjetivos para descrever o livro. Monumental ainda seria pouco. A edição é de um esmero e cuidado raros, todos trabalhados nos mínimos detalhes. Para se ter uma ideia, a família tipográfica escolhida pelos editores foi inspirada na mesma tipografia utilizada na edição de Voyage Pitoresque“, de Debret, em 1834.

Com mais de 700 páginas e 4 quilos, o livro traz mais de 1300 imagens, contemplando a totalidade do trabalho do pintor francês em solo brasileiro. O formato grande da edição possibilita uma experiência visual imersiva, que permite que até mesmo pequenos detalhes dos óleos, aquarelas, desenhos e gravuras possam ser observados na impressão de alta qualidade.

Paisagens urbanas e naturais, vestimentas, hábitos, a dolorosa condição dos escravos, a aristocracia e os personagens humildes, as frutas, os utensílios indígenas, nada escapou ao olhar atento de Debret. A contextualização histórica trazida pelos textos nos transporta no tempo, para o Brasil do século XIX, e permite compreender o passado e o presente.

O livro é um documento histórico essencial para historiadores e amantes da arte, bem como para o público geral, e é uma das publicações de maior relevância em seu gênero dos últimos anos.

Uma das coisas interessantes de se fazer no livro é identificar locais conhecidos (já que Debret viajou por diversas partes do Brasil) e perceber a mudança da paisagem, e em alguns casos, verificar que os prédios e elementos naturais ainda estão por lá.

Debret

Jean-Baptiste Debret foi um pintor francês que integrou a Missão Artística Francesa no Brasil. Nela, retratou em suas obras não apenas o cotidiano do Brasil da época, que englobava a aristocracia, da população em geral e a vida dos escravos, mas também acontecimentos históricos anteriores à independência do país.

A arte visceral e mística de Karin Lambrecht

A obra de Karin tem a profundidade e vastidão oceânicas, e como tal, nos dá uma sensação de nunca poder ser compreendida em totalidade, tão profundos que são seus abismos, seus mistérios, referências e processos. Quando tentamos explicá-la, parece que entramos em um domínio do sentir em que nos faltam palavras e nos resta apenas a intensidade do sentir.

Experiências pessoais

Meu primeiro contato com a obra de Karin Lambrecht aconteceu por acaso, em um passeio por Porto Alegre, quando decidi entrar no Santander Cultural, pois tinha bastante tempo naquele dia.

A exposição para mim foi arrebatadora, e me fez lembrar da minha avó, em uma lembrança ao mesmo tempo cheia de doçura e muita dor. Isso porque Lambrecht trabalha com crucifixos, ouro, rasgos, palavras, rins e sangue (literalmente).

A simbologia católica estava toda lá, em todo o seu sofrimento, beleza e repressão. Aquele era o mundo da minha avó, embora ela, diferente de Karin, não tinha qualquer erudição ao tratar do tema. Minha avó vivia o catolicismo sem compreendê-lo, apenas por temê-lo e achá-lo correto, como fazem tantas avós.

Eu, do contrário, só tinha sofrimentos perante o cristianismo, mas amava minha avó com uma força incomensurável. E assim, diante de telas pintadas com sangue e tantas outras com trechos das Escrituras, minha emoção não poderia ser outra do que uma nostalgia doce e dolorida.

“Sem título”, 1999-2000. Terra rosa da região de Caraiva, sul da Bahia, em meio acrílico e carvão sobre lona.

A artista e sua obra

Karin Lambrecht nasceu em Porto Alegre em 1957, e é conhecida pela força com que trabalha a mitologia cristã. Seu trabalho está repleto de palavras, tanto soltas quanto de textos das Escrituras. Seu trabalho é forte e pulsante, com uma riqueza de tons de vermelho, azul e do amarelo em tons de ferrugem.

Esta potência entre o grotesco e o sublime vem desde o início de sua carreira, quando concebia suas obras com resíduos industriais. Depois, vieram as telas rasgadas e o sangue de animais. Sua obra é uma representante perfeita do enlace ao mesmo tempo bárbaro, sublime e místico do cristianismo.

“Animal”, 2004. Sangue de carneiro sobre tecido branco e papel .

Os materiais de suas obras constituem um elemento fortíssimo de sua expressão, ligados à transitoriedade da vida, ao sacrifício e à mística. Além do sangue e dos rasgos, dos tecidos amassados e penduradas e das marcas da indústria, Lambrecht utiliza arames contorcidos de modo agonizante sobre cruzes de papel; permite que o tempo atue sobre suas obras, deixando-as expostas à natureza durante seu processo de criação, em um resultado absolutamente intenso e sublime.

Seu trabalho é uma verdadeira materialização do cristianismo. Se os artistas do passado retrataram as figuras cristãs em uma idealização angelical, Lambrecht mostra-nos o cerne, o coração pulsante de dor e magia da religião.

“Mundu”, 2011-2012. Pigmentos em emulsão acrílica, chuva, marcas de pedras e caligrafias sobre lona.

Para conhecer em profundidade

A obra de Karin tem a profundidade e vastidão oceânicas, e como tal, nos dá uma sensação de nunca poder ser compreendida em totalidade, tão profundos que são seus abismos, seus mistérios, referências e processos. Quando tentamos explicá-la, parece que entramos em um domínio do sentir em que nos faltam palavras e nos resta apenas a intensidade do sentir.

Quem mergulhou fundo no oceano que é a obra de Karin Lambrecht foi Glória Ferreira, que organizou o primeiro e muito rico livro sobre a artista, publicado pela Cosac Naify, trazendo suas pinturas mais importantes, além de colagens e instalações.

O livro é extremamente farto em imagens, todas coloridas. Com formato grande e quase 300 páginas, permite uma apreciação intensa da obra de Lambrecht. Além do farto material gráfico, a obra ainda conta com uma entrevista com a artista feita por Agnaldo Farias, bem como esclarecedores textos de Glória Ferreira, Miguel Chaia e Viviane G. Araújo.

E o livro não para por aí. Seu final é reservado para uma cronologia e uma genial “Fortuna Crítica”, com textos sobre a artista escritos por outros seis estudiosos, fornecendo um mergulho intenso e esclarecedor sobre a oceânica Karin Lambrecht. Estes textos são impressos em tinta bordô, fazendo uma alusão a suas obras em sangue. As separações internas do livro também são em bordô, impresso em páginas inteiras, em um projeto gráfico que se mostra conhecedor da obra, e acaba por unir-se a ela na imersão visual que o livro apresenta.

Karin Lambrecht tem, sem qualquer dúvida, uma das produções mais intensas e ricas em materiais da arte contemporânea brasileira.

Mais obras

“Desmembramento”, 2000. Linha de sangue derradeiro de carneiro sobre lona. 180 x 1.170 cm. Museu de Arte Moderna-RJ / Coleção Gilberto Chateaubriand.



“Meu corpo Inês”, 2005. Registro de ação e instalação.

“Morte d’luz”, 2007. Sobre uma tela (instalada em uma parede de 51 m2, no MAC-USP) coberta de mel de laranjeiras, cultivado pelo setor de Biociência da USP, cerca de três mil folhas de ouro.

“Sem título”, 1999 – 2000. Terra de diferentes regiões do Brasil, pigmentos em meio acrílico sobre lona.

“Dia”, 2005. Feltro sintético, papel, grafite, recortes, linho e cera de abelha.

O livro de Lambrecht pode ser encontrado na Amazon, que possui alguns dos últimos exemplares publicados pela Cosac Naify.