“Omniphone”, série fotográfica sobre a onipresença dos smartphones

Na genial série fotográfica “Omniphone”, a fotógrafa Charlotte Parenteau-Denoel reflete sobre a onipresença dos smartphones no nosso cotidiano como uma extensão do corpo humano, principalmente das mãos e dos olhos.

Série fotográfica de brasileiro mostra o céu de Hong Kong emoldurado por prédios

O fotógrafo brasileiro Dietrich Herlan retratou o céu de Hong Kong emoldurado pelos seus imensos prédios, como se fossem grandes molduras muito maiores que seus quadros.

A série, chamada Densidade Urbana, não mostra apenas a interessante moldura de prédios, mas também se atenta a outras características de Hong Kong, como a imensidão, perspectiva e densidade.

O céu emoldurado talvez seja a característica que mais chame a atenção, por sua simetria, pelos formatos curiosos que formam, e pelo sentimento de pequenez e solidão diante destas estruturas gigantes que se erguem em direção ao céu, quase ocultando-o.

Com quantos paus se faz uma canoa? A fotografia de Todd McLellan

Um dos fascínios do fotógrafo Todd McLellan é esmiuçar os componentes de produtos comuns e transformar sua curiosidade em arte. A desmontagem dos artefatos deu origem à impressionante serie fotográfica “Things Come Apart”, que nos assombra pela quantidade de peças nos artefatos, ao mesmo tempo que satisfaz nossa curiosidade por saber como as coisas são feitas.

Além de extrair uma poética dos objetos cotidianos ao desmembrá-los em suas menores porções, a série também causa a reflexão sobre os impactos da produção industrial no ambiente, com o ciclo de extração, produção, distribuição e descarte.

A série também está disponível no livro “Things Come Apart: A Teardown Manual for Modern Living”, publicado pela Thomas & Hudson, que conta com mais de 170 imagens coloridas do trabalho do fotógrafo, tão interessante para quem gosta de fotografia e design de produto. No Brasil, está disponível na Amazon, que importa a obra.

Chama a atenção a complexidade dos objetos que usamos de modo corriqueiro, sem pensar muito sobre eles, nos fazendo refletir sobre a técnica por trás deles, bem como alternativas de produção sustentáveis e com uso reduzido e reutilizado de materiais.

“Aranha”, de Louise Bourgeois, na Fundação Iberê Camargo

A obra “Aranha”, de Louise Bourgeois estará na Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre, até o dia 28 de julho de 2019.

A escultura gigante é um “autorretrato” da infância da artista, seus traumas e a relação com a mãe, que considerava como melhor amiga e alguém que a protegeu de diversas formas.

A obra de Bourgeois na Fundaçãi Iberê Camargo. Foto de Félix Zucco.

Segundo a Fundação Iberê Camargo “Bourgeois cresceu em um ateliê de restauro de tapeçarias. Com a morte da mãe, em 1932, a jovem abandonou os estudos em matemática para transformar suas experiências em uma linguagem visual altamente pessoal, por meio do uso de imagens mitológicas e arquetípicas, adotando objetos como espirais, gaiolas, ferramentas médicas e as famosas aranhas para simbolizar a psique feminina, a beleza e a dor psicológica. Spider tem mais de 3 metros de altura em bronze e está equilibrada em oito pernas, com terminações que remetem à agulha e ao bordado.”

Ver a “Aranha” é uma oportunidade singular, repleta de afeto e dor, em um animal que não é associado costumeiramente à maternidade.

A Fundação Iberê Camargo fica na Avenida Padre Cacique, 2000, Bairro Cristal, Porto Alegre-RS. Para saber mais, acesse: http://iberecamargo.org.br/visite/#como-chegar

A arte visceral e mística de Karin Lambrecht

A obra de Karin tem a profundidade e vastidão oceânicas, e como tal, nos dá uma sensação de nunca poder ser compreendida em totalidade, tão profundos que são seus abismos, seus mistérios, referências e processos. Quando tentamos explicá-la, parece que entramos em um domínio do sentir em que nos faltam palavras e nos resta apenas a intensidade do sentir.

Experiências pessoais

Meu primeiro contato com a obra de Karin Lambrecht aconteceu por acaso, em um passeio por Porto Alegre, quando decidi entrar no Santander Cultural, pois tinha bastante tempo naquele dia.

A exposição para mim foi arrebatadora, e me fez lembrar da minha avó, em uma lembrança ao mesmo tempo cheia de doçura e muita dor. Isso porque Lambrecht trabalha com crucifixos, ouro, rasgos, palavras, rins e sangue (literalmente).

A simbologia católica estava toda lá, em todo o seu sofrimento, beleza e repressão. Aquele era o mundo da minha avó, embora ela, diferente de Karin, não tinha qualquer erudição ao tratar do tema. Minha avó vivia o catolicismo sem compreendê-lo, apenas por temê-lo e achá-lo correto, como fazem tantas avós.

Eu, do contrário, só tinha sofrimentos perante o cristianismo, mas amava minha avó com uma força incomensurável. E assim, diante de telas pintadas com sangue e tantas outras com trechos das Escrituras, minha emoção não poderia ser outra do que uma nostalgia doce e dolorida.

“Sem título”, 1999-2000. Terra rosa da região de Caraiva, sul da Bahia, em meio acrílico e carvão sobre lona.

A artista e sua obra

Karin Lambrecht nasceu em Porto Alegre em 1957, e é conhecida pela força com que trabalha a mitologia cristã. Seu trabalho está repleto de palavras, tanto soltas quanto de textos das Escrituras. Seu trabalho é forte e pulsante, com uma riqueza de tons de vermelho, azul e do amarelo em tons de ferrugem.

Esta potência entre o grotesco e o sublime vem desde o início de sua carreira, quando concebia suas obras com resíduos industriais. Depois, vieram as telas rasgadas e o sangue de animais. Sua obra é uma representante perfeita do enlace ao mesmo tempo bárbaro, sublime e místico do cristianismo.

“Animal”, 2004. Sangue de carneiro sobre tecido branco e papel .

Os materiais de suas obras constituem um elemento fortíssimo de sua expressão, ligados à transitoriedade da vida, ao sacrifício e à mística. Além do sangue e dos rasgos, dos tecidos amassados e penduradas e das marcas da indústria, Lambrecht utiliza arames contorcidos de modo agonizante sobre cruzes de papel; permite que o tempo atue sobre suas obras, deixando-as expostas à natureza durante seu processo de criação, em um resultado absolutamente intenso e sublime.

Seu trabalho é uma verdadeira materialização do cristianismo. Se os artistas do passado retrataram as figuras cristãs em uma idealização angelical, Lambrecht mostra-nos o cerne, o coração pulsante de dor e magia da religião.

“Mundu”, 2011-2012. Pigmentos em emulsão acrílica, chuva, marcas de pedras e caligrafias sobre lona.

Para conhecer em profundidade

A obra de Karin tem a profundidade e vastidão oceânicas, e como tal, nos dá uma sensação de nunca poder ser compreendida em totalidade, tão profundos que são seus abismos, seus mistérios, referências e processos. Quando tentamos explicá-la, parece que entramos em um domínio do sentir em que nos faltam palavras e nos resta apenas a intensidade do sentir.

Quem mergulhou fundo no oceano que é a obra de Karin Lambrecht foi Glória Ferreira, que organizou o primeiro e muito rico livro sobre a artista, publicado pela Cosac Naify, trazendo suas pinturas mais importantes, além de colagens e instalações.

O livro é extremamente farto em imagens, todas coloridas. Com formato grande e quase 300 páginas, permite uma apreciação intensa da obra de Lambrecht. Além do farto material gráfico, a obra ainda conta com uma entrevista com a artista feita por Agnaldo Farias, bem como esclarecedores textos de Glória Ferreira, Miguel Chaia e Viviane G. Araújo.

E o livro não para por aí. Seu final é reservado para uma cronologia e uma genial “Fortuna Crítica”, com textos sobre a artista escritos por outros seis estudiosos, fornecendo um mergulho intenso e esclarecedor sobre a oceânica Karin Lambrecht. Estes textos são impressos em tinta bordô, fazendo uma alusão a suas obras em sangue. As separações internas do livro também são em bordô, impresso em páginas inteiras, em um projeto gráfico que se mostra conhecedor da obra, e acaba por unir-se a ela na imersão visual que o livro apresenta.

Karin Lambrecht tem, sem qualquer dúvida, uma das produções mais intensas e ricas em materiais da arte contemporânea brasileira.

Mais obras

“Desmembramento”, 2000. Linha de sangue derradeiro de carneiro sobre lona. 180 x 1.170 cm. Museu de Arte Moderna-RJ / Coleção Gilberto Chateaubriand.



“Meu corpo Inês”, 2005. Registro de ação e instalação.

“Morte d’luz”, 2007. Sobre uma tela (instalada em uma parede de 51 m2, no MAC-USP) coberta de mel de laranjeiras, cultivado pelo setor de Biociência da USP, cerca de três mil folhas de ouro.

“Sem título”, 1999 – 2000. Terra de diferentes regiões do Brasil, pigmentos em meio acrílico sobre lona.

“Dia”, 2005. Feltro sintético, papel, grafite, recortes, linho e cera de abelha.

O livro de Lambrecht pode ser encontrado na Amazon, que possui alguns dos últimos exemplares publicados pela Cosac Naify.