8 cadeiras bacanas para todos os bolsos e para dar um up na decoração!

As cadeiras são um item essencial da casa, e fascinam os designers há muito tempo, afinal, como inovar em algo tão rotineiro como uma cadeira?

Rotineira, mas essencial. Além de terem de ser confortáveis, algumas possuem um charme especial para compor ambientes.

Garimpamos as cadeiras mais bacanas da internet nessa lista, pesquisamos preços, sua história e preparamos algumas dicas para você que está pensando em trocar suas cadeirinhas.

1. Cadeira Trafitto

Simples e moderna, a cadeira Trafitto é feita em aço pintado, com assento e encosto em polipropileno. Assim, esta simpática cadeira pode ser utilizada em ambientes internos e externos, da sala de jantar ao barzinho de rua.

Faixa de preço: entre R$ 67 e 150 cada.

2. Cadeira Eiffel

A queridíssima cadeira Eiffel já é um clássico! Ideal para quem está começando a decorar, ela fica bem em quase todos os ambientes. Não quer errar: vai de Eiffel.

A cadeira foi desenhada por um casal de designers americanos, Ray e Charles Eames. A dupla foi super importante para o design do século XX, e sua influência continua até hoje.

A Eiffel tem várias opções de cor, e algumas variações na base e nos assentos, conferindo diferentes personalidades à cadeira. Na dúvida, opte pelo modelo mais clássico.

Faixa de preço: entre R$ 100 e 160 cada.

3. Cadeira Acapulco

Sentar bem aconchegado para ler um livro ou relaxar depois de um dia corrido, esta é a proposta da cadeira Acapulco. Não se sabe quem a desenhou, mas o modelo nasceu no México, nos anos 50, e logo caiu no gosto dos escandinavos.

A Acapulco fica bem tanto em espaços internos quanto externos, mas não é indicada para cômodos muito pequenos. Um dica é colocar uma mantinha junto da Acapulco para fazer um ninho perfeito. Plantas perto da cadeira também caem muito bem, já que é uma cadeira tropical e de verão.

Faixa de preço: entre R$ 240 e 400 cada.

4. Cadeira Tolix

Desenhada por Xavier Pauchard na França dos anos 30, a Tolix é uma queridinha dos amantes do estilo retrô e industrial, e é encontrada com frequência em cafés, mas nada impede de trazê-la para a sua mesa de jantar.

Faixa de preço: entre R$ 180 e 350 cada

5. Cadeira Bertoia

Elegante e confortável, a cadeira Bertoia foi desenhada em 1952 pelo italiano Harry Bertoia. Com um design super bonito, ela também se ajusta ao corpo para garantir o conforto, e fica linda para compor um ambiente com uma pegada mais industrial.

Assim como em outros modelos, existem variações da Bertoia, e vale a pena pesquisar.

Faixa de preço: entre R$ 240 e 400 cada.

6. Cadeira Ant

Se você busca sobriedade e sofisticação, a Ant, ou Formiga, é uma opção a ser considerada, é um dos clássicos dos anos 50. Desenhada pelo dinamarquês Arne Jacobsen para ser leve, estável e fácil de empilhar, e foi feita originalmente para a cantina de uma empresa farmacêutica.

Hoje ela também é popular nas salas de jantar e de concerto por ser bastante confortável. Há duas versões: de 3 e 4 pernas.

Faixa de preço: entre R$ 180 e 350 cada.

7. Cadeira Louis Ghost

Ousadia é com você? Então a Louis Ghost pode ser uma opção. A cadeira desenhada em 2002 pelo polêmico Philippe Starck foi inspirada na forma da cadeira barroca Luis XV, e é alvo de paixão e ódio pelo mundo, com mais de 1,5 milhão de unidades comercializadas.

É uma cadeira ousada como seu criador, e se você estiver em dúvida, é melhor avaliar bem, porque talvez não seja o seu estilo.

Mas se você um dos apaixonados pela Louis Ghost, vá com tudo. Uma dica: por ser transparente e polimérica, o ideal é que você já tenha móveis de materiais opostos no seu ambiente, de madeira, por exemplo. Quanto mais volumosos melhor. Do contrário, sua cadeira poderá parecer uma colherinha de festa e todo o seu charme e ousadia serão perdidos. O porcelanato também não é indicado, mas se o seu chão for assim, aposte em um tapete de tons terrosos.

Faixa de preço: entre R$ 300 e 360 cada.

8. Cadeira Walnut

Também do casal Eames, a Walnut tem a característica de atrair todas as atenções para si, e fica super elegante sozinha ou em uma dupla para a sala, como poltronas.

Sofisticada, é ideal para leitura ou para aproveitar um bom vinho com os amigos. Por seu formato, a Walnut é um daqueles produtos geradores de conversa, e todos irão querer saber a sensação de experimentá-la.

Faixa de preço: entre R$ 450 e 850 cada.

9. Lojas de usados e de antiguidades

Sua próxima cadeira não precisa ser nova, ela pode vir de uma loja de usados e carregar muita história. Para os amantes do garimpo, essa é uma verdadeira caça ao tesouro, e pode revelar belas surpresas.

Visite as lojas de usados da sua região, quem sabe tem uma cadeira fantástica e única te esperando por lá?

Debret e o Brasil: um livro épico

Uma das coisas interessantes de se fazer no livro é identificar locais conhecidos (já que Debret viajou por diversas partes do Brasil) e perceber a mudança da paisagem, e em alguns casos, verificar que os prédios e elementos naturais ainda estão por lá.

O livro

Publicado pela Editora Capivara, especializada em arte e temas brasileiros, o livro “Debret e o Brasil”, de Júlio Bandeira e Pedro Corrêa do Lago, traz a produção completa de Jean-Baptiste Debret nos 15 anos em que trabalhou no Brasil, entre 1816 e 1831.

Faltam adjetivos para descrever o livro. Monumental ainda seria pouco. A edição é de um esmero e cuidado raros, todos trabalhados nos mínimos detalhes. Para se ter uma ideia, a família tipográfica escolhida pelos editores foi inspirada na mesma tipografia utilizada na edição de Voyage Pitoresque“, de Debret, em 1834.

Com mais de 700 páginas e 4 quilos, o livro traz mais de 1300 imagens, contemplando a totalidade do trabalho do pintor francês em solo brasileiro. O formato grande da edição possibilita uma experiência visual imersiva, que permite que até mesmo pequenos detalhes dos óleos, aquarelas, desenhos e gravuras possam ser observados na impressão de alta qualidade.

Paisagens urbanas e naturais, vestimentas, hábitos, a dolorosa condição dos escravos, a aristocracia e os personagens humildes, as frutas, os utensílios indígenas, nada escapou ao olhar atento de Debret. A contextualização histórica trazida pelos textos nos transporta no tempo, para o Brasil do século XIX, e permite compreender o passado e o presente.

O livro é um documento histórico essencial para historiadores e amantes da arte, bem como para o público geral, e é uma das publicações de maior relevância em seu gênero dos últimos anos.

Uma das coisas interessantes de se fazer no livro é identificar locais conhecidos (já que Debret viajou por diversas partes do Brasil) e perceber a mudança da paisagem, e em alguns casos, verificar que os prédios e elementos naturais ainda estão por lá.

Debret

Jean-Baptiste Debret foi um pintor francês que integrou a Missão Artística Francesa no Brasil. Nela, retratou em suas obras não apenas o cotidiano do Brasil da época, que englobava a aristocracia, da população em geral e a vida dos escravos, mas também acontecimentos históricos anteriores à independência do país.

Minimalismo além do Pinterest: 5 reflexões para ficar menos frustrado

A estética do minimalismo é muito legal. Sóbria, moderna e elegante, ela ganhou inúmeros adeptos pelo mundo e virou tendência de decoração. E que tal levar o minimalismo para além da estética?

Primeiramente, devemos salientar que não há problema algum em adotar o minimalismo apenas como uma corrente estética, mas ele pode ser mais do que isso e fazer sua vida bem mais descomplicada.

Confira 5 pontos para refletir e encarar o minimalismo para além da decoração.

1. Economia e praticidade

Um dos pontos centrais do minimalismo é viver com menos, seja para facilitar a vida, economizar dinheiro ou contribuir com a preservação do meio ambiente. E tudo isso se reflete na sua rotina, se aplicado verdadeiramente.

Não é necessário jogar tudo fora e redecorar a sua casa com móveis caros só porque eles tem uma cara minimalista. (E se você quiser também não tem problema).

A questão é assimilar o viver com menos dentro de você, e então não será necessário redecorar tudo com móveis de design. Você se tornará menos consumista, comprará menos tralhas por impulso, e não irá comprar simplesmente para aliviar a tristeza. E então sobrará mais dinheiro, mais tempo, menos coisas para cuidar e menos móveis para bater o dedinho do pé.

2. Conforto

Consumir menos significa ficar menos estressado por endividamento. Significa que no final do mês você sofrerá menos a angústia de gastar todo o seu salário com as contas para pagar. Assim, sua vida ficará mais confortável e, se quiser, pode até ser mais fácil de economizar para o que você realmente quer, seja lá o que for.

E o conforto não é apenas financeiro, mas também mental, já que você irá competir menos para comprar coisas.

3. Não se endivide ao entrar no minimalismo

Ser minimalista não necessita bradar sua nova filosofia de vida aos quatro ventos para que todo mundo saiba que você é de fato um minimalista. E não precisa redecorar a casa toda com móveis caros. Na verdade nem precisa redecorar a casa.

Ao optar pelo minimalismo, escolha o que é melhor para o seu bolso, para o seu bem-estar, e então você estará vivendo o minimalismo de verdade, sem nem precisar comprar um sofá de linhas retas. O minimalismo precisa primeiro existir dentro de você.

Se você jogou seus móveis fora, comprou tudo novo e bonitinho e agora está cheio de boletos chegando, meu bem, você está fazendo isso errado e caiu em um modismo.

4. Cuidado com a frustração

Você navega no Pinterest procurando por inspirações minimalistas, e elas são todas lindas e elegantérrimas (e realmente são). Mas na sua casa você não consegue atingir aquele padrão escandinavo e fica frustrado. Não tem problema!

Na nossa cultura, existe um forte consumo de imagens. O corpo perfeito, a decoração perfeita, o relacionamento, o diploma, as viagens… e até o minimalismo. Não deixe essas imagens de revista fazerem você ficar triste. O seu minimalismo é o seu minimalismo, e ninguém precisa se meter nele. Cuidado com os fiscais.

Se o seu minimalismo é feito de potinhos de sorvete, e não de cerâmicas elegantes, não tem problema, seu minimalismo é lindo e autêntico! Não precisa sofrer pra ter uma casa de revista se na sua rotina está tudo certo na maneira com que você encontra para aplicar o minimalismo. Você não mora dentro de uma revista, e sim no mundo real. Lembre-se disso.

5. Simplifique!

O minimalismo como filosofia tem seu grande pilar na simplicidade. Se você está sofrendo para ser minimalista, talvez esteja procurando por padrões inatingíveis de revista, ou simplesmente o minimalismo não é pra você. E se ele não for pra você, tudo bem!

O importante é que você consiga simplificar a vida de verdade para viver com mais qualidade, ter mais tempo para fazer o que gosta, mais tempo para a família e os amigos, e menos contas para pagar.

Quais hábitos nocivos você pode cortar para viver melhor? No final, é só isso que importa. E foda-se a decoração da casa.

Chico Bernardes: a nova joia da música brasileira

De uma família de músicos, o jovem Chico Bernardes, de 20 anos, é a nova joia preciosa da música brasileira. Irmão de Tim Bernardes e filho de Maurício Pereira, ambos músicos talentosos, Chico segue a genialidade da família, mas com linguagem própria.

Seu álbum “O Espelho”, lançado em 14 de junho de 2019 e disponível no Spotfy, revela um músico de linguagem elegante e poética. Com 10 faixas, o álbum esbanja sensibilidade, experimentação e maturidade.

Confira o clipe de “Um Astronauta”, música que estreou o álbum, no canal do próprio Chico:

A arte visceral e mística de Karin Lambrecht

A obra de Karin tem a profundidade e vastidão oceânicas, e como tal, nos dá uma sensação de nunca poder ser compreendida em totalidade, tão profundos que são seus abismos, seus mistérios, referências e processos. Quando tentamos explicá-la, parece que entramos em um domínio do sentir em que nos faltam palavras e nos resta apenas a intensidade do sentir.

Experiências pessoais

Meu primeiro contato com a obra de Karin Lambrecht aconteceu por acaso, em um passeio por Porto Alegre, quando decidi entrar no Santander Cultural, pois tinha bastante tempo naquele dia.

A exposição para mim foi arrebatadora, e me fez lembrar da minha avó, em uma lembrança ao mesmo tempo cheia de doçura e muita dor. Isso porque Lambrecht trabalha com crucifixos, ouro, rasgos, palavras, rins e sangue (literalmente).

A simbologia católica estava toda lá, em todo o seu sofrimento, beleza e repressão. Aquele era o mundo da minha avó, embora ela, diferente de Karin, não tinha qualquer erudição ao tratar do tema. Minha avó vivia o catolicismo sem compreendê-lo, apenas por temê-lo e achá-lo correto, como fazem tantas avós.

Eu, do contrário, só tinha sofrimentos perante o cristianismo, mas amava minha avó com uma força incomensurável. E assim, diante de telas pintadas com sangue e tantas outras com trechos das Escrituras, minha emoção não poderia ser outra do que uma nostalgia doce e dolorida.

“Sem título”, 1999-2000. Terra rosa da região de Caraiva, sul da Bahia, em meio acrílico e carvão sobre lona.

A artista e sua obra

Karin Lambrecht nasceu em Porto Alegre em 1957, e é conhecida pela força com que trabalha a mitologia cristã. Seu trabalho está repleto de palavras, tanto soltas quanto de textos das Escrituras. Seu trabalho é forte e pulsante, com uma riqueza de tons de vermelho, azul e do amarelo em tons de ferrugem.

Esta potência entre o grotesco e o sublime vem desde o início de sua carreira, quando concebia suas obras com resíduos industriais. Depois, vieram as telas rasgadas e o sangue de animais. Sua obra é uma representante perfeita do enlace ao mesmo tempo bárbaro, sublime e místico do cristianismo.

“Animal”, 2004. Sangue de carneiro sobre tecido branco e papel .

Os materiais de suas obras constituem um elemento fortíssimo de sua expressão, ligados à transitoriedade da vida, ao sacrifício e à mística. Além do sangue e dos rasgos, dos tecidos amassados e penduradas e das marcas da indústria, Lambrecht utiliza arames contorcidos de modo agonizante sobre cruzes de papel; permite que o tempo atue sobre suas obras, deixando-as expostas à natureza durante seu processo de criação, em um resultado absolutamente intenso e sublime.

Seu trabalho é uma verdadeira materialização do cristianismo. Se os artistas do passado retrataram as figuras cristãs em uma idealização angelical, Lambrecht mostra-nos o cerne, o coração pulsante de dor e magia da religião.

“Mundu”, 2011-2012. Pigmentos em emulsão acrílica, chuva, marcas de pedras e caligrafias sobre lona.

Para conhecer em profundidade

A obra de Karin tem a profundidade e vastidão oceânicas, e como tal, nos dá uma sensação de nunca poder ser compreendida em totalidade, tão profundos que são seus abismos, seus mistérios, referências e processos. Quando tentamos explicá-la, parece que entramos em um domínio do sentir em que nos faltam palavras e nos resta apenas a intensidade do sentir.

Quem mergulhou fundo no oceano que é a obra de Karin Lambrecht foi Glória Ferreira, que organizou o primeiro e muito rico livro sobre a artista, publicado pela Cosac Naify, trazendo suas pinturas mais importantes, além de colagens e instalações.

O livro é extremamente farto em imagens, todas coloridas. Com formato grande e quase 300 páginas, permite uma apreciação intensa da obra de Lambrecht. Além do farto material gráfico, a obra ainda conta com uma entrevista com a artista feita por Agnaldo Farias, bem como esclarecedores textos de Glória Ferreira, Miguel Chaia e Viviane G. Araújo.

E o livro não para por aí. Seu final é reservado para uma cronologia e uma genial “Fortuna Crítica”, com textos sobre a artista escritos por outros seis estudiosos, fornecendo um mergulho intenso e esclarecedor sobre a oceânica Karin Lambrecht. Estes textos são impressos em tinta bordô, fazendo uma alusão a suas obras em sangue. As separações internas do livro também são em bordô, impresso em páginas inteiras, em um projeto gráfico que se mostra conhecedor da obra, e acaba por unir-se a ela na imersão visual que o livro apresenta.

Karin Lambrecht tem, sem qualquer dúvida, uma das produções mais intensas e ricas em materiais da arte contemporânea brasileira.

Mais obras

“Desmembramento”, 2000. Linha de sangue derradeiro de carneiro sobre lona. 180 x 1.170 cm. Museu de Arte Moderna-RJ / Coleção Gilberto Chateaubriand.



“Meu corpo Inês”, 2005. Registro de ação e instalação.

“Morte d’luz”, 2007. Sobre uma tela (instalada em uma parede de 51 m2, no MAC-USP) coberta de mel de laranjeiras, cultivado pelo setor de Biociência da USP, cerca de três mil folhas de ouro.

“Sem título”, 1999 – 2000. Terra de diferentes regiões do Brasil, pigmentos em meio acrílico sobre lona.

“Dia”, 2005. Feltro sintético, papel, grafite, recortes, linho e cera de abelha.

O livro de Lambrecht pode ser encontrado na Amazon, que possui alguns dos últimos exemplares publicados pela Cosac Naify.

O banheiro do Papa

O filme “O Banheiro do Papa”, de César Charlone, aborda a visita do papa João Paulo II a Melo, no Uruguai, em 1988. Ou melhor, mostra todo o grande esforço da comunidade pobre local para lucrar alguma coisa com o evento e melhorar um pouco a vida. A comida foi o produto escolhido por todos, que acabaram por endividaram-se ainda mais para comprá-la. Porém Beto, o protagonista, teve uma ideia diferente: construir um banheiro. Todos precisariam aliviar-se depois de um dia comendo e esperando o Papa, não é mesmo?

Beto era contrabandista, e assim como os colegas, buscava uma vida melhor. Entre os contrabandistas, havia os com um pouco mais de dinheiro, que faziam o transporte em motocicletas, e os mais pobres, que iam de bicicleta, dos quais Beto fazia parte. Diariamente Beto era ultrapassado pelas motocicletas, o que fazia com que sonhasse em comprar uma para agilizar seu contrabando.

O transporte de mercadorias, que eram revendidas para mercados ou para as pessoas comuns, lembra o conceito da cultura como “carga” desenvolvida pelo antropólogo Roy Wagner no livro “A Invenção da Cultura”*. Ao realizar um estudo de campo junto ao povo daribi, da Nova Guiné, Wagner percebeu que a ideia que os daribi tinham sobre a cultura ocidental era de algo baseado na “carga”, ou seja, no transporte de produtos. É possível fazer a mesma relação com a situação mostrada no filme, não só do ponto dos mais pobres, mas do sistema como um todo, sempre ávido por coisas, e coisas precisam ser transportadas, inclusive transportar a si mesmas para ver uma figura importante.

No filme, Beto empenha todas as suas forças na construção de um banheiro para a visita do Papa, usando até o dinheiro que tinham guardado para os estudos da filha. Enquanto isso, seus vizinhos investiam em comida, motivados pela ampla cobertura da televisão sobre o evento, que fazia previsões para um grande público.

Silvia, filha de Beto, via o evento com outros olhos. Era atraída pelos jornalistas e sonhava um dia entrar na profissão. Ao mesmo tempo, ficava aborrecida com as atitudes do pai, que em uma mistura de egoísmo e necessidade, usava o dinheiro que a mãe guardava para seus estudos na construção do banheiro. Na relação entre pai e filha, também é observável a estrutura do Estado no interior da família, já que da mesma forma que o Estado tentava confiscar os produtos de Beto, o pai controlava e tentava confiscar o gosto pelo estudo da filha.

A televisão anunciava 10 quilômetros de filas de ônibus de peregrinos brasileiros, mas frustrando todas as expectativas, o discurso papal dura cerca de 15 minutos, e número muito pequeno de pessoas foi ao evento. As vendas foram horríveis, e a multidão de “turistas-devotos” era totalmente indiferente à população local, que cada vez ficava mais desesperada ter investido o pouco que tinha.

As cenas finais do filme mostram os olhares tristes da população de Melo, a sujeira deixada e bandeiras do Vaticano cobrindo linguiças, em uma oposição entre sacro e profano.

A irresponsabilidade da mídia naquela ocasião faz com que Sílvia perca o encanto pelo jornalismo, e passe a ajudar o pai com o contrabando, agora a pé, pois não havia mais bicicleta.

Mas apesar de tudo, no final Beto enche-se de esperança e alegria e diz ter uma nova ideia para o banheiro.

Referencial:

* WAGNER, Roy. A Invenção da Cultura. São Paulo: Cosac Naify, 2009.

12 melhores animações para adultos

Seja pela acidez, por trazer conceitos filosóficos, mostrar o cotidiano da vida adulta, fazer críticas sociais ou falar abertamente sobre sexo e drogas, estas animações provam que sim, desenho também é coisa de adulto.

Odiadas por uns, amadas por outros, estas animações garantem risos, reflexões e muita vontade de vê-las de novo.

IMPORTANTE: A ordem de apresentação das séries não representa que uma é melhor ou pior 😉

1. Rick e Morty

Carregada de ironia e niilismo, “Rick e Morty” traz as aventuras de um avô cientista louco e seu neto adolescente, que arranjam infindáveis problemas em diferentes planetas e dimensões. A animação ainda traz referências à cultura pop, como “Jurassic Park”, e está repleta de ficção científica, muita confusão e dilemas éticos para a cabeça de Morty, enquanto Rick parece não importar-se com nada além de si mesmo.

Um prato cheio para os amantes de séries ácidas inteligentes, que não recusam uma boa dose de sangue alienígena.

2. F is for Family

Aah, aquela nostalgia dos anos 70… “F is for Family” mostra o cotidiano de uma família americana nos saudosos anos 70, e todas as desventuras que a rotina em família pode trazer.

Embora centrada nas desilusões do patriarca da família, que não conseguiu realizar seus sonhos de juventude agora tem uma família para sustentar, uns quilinhos a mais e cabelos de menos, a série não deixa de dar protagonismo para os outros quatro integrantes da família, que vivem os desafios da adolescência, da maternidade, do mercado de trabalho, do machismo, dos amores, das contas para pagar…

“F is for Family” é imperdível e impossível de não deixar você com saudade dos anos 70, mesmo sem nem ter vivido neles.

3. Over the Garden Wall

“Over the Garden Wall”, ou “O Segredo além do Jardim”, pode não parecer cativante para adultos à primeira vista. Porém, um olhar mais atento revela uma animação extremamente sensível, de um traço belíssimo, e recheada de referências da filosofia, literatura e música.

A animação traz a jornada dos irmãos Wirt e Greg no “Desconhecido”, e quanto mais tentam encontrar-se, mais se perdem, tal como é a vida. Wirt garante a parte racional e cética, enquanto Greg é pura inocência e fofura.

Pode-se dizer que “Over the Garden Wall” é uma ressignificação magistral da “Divina Comédia”, do poeta italiano Dante Alighieri, escrita por volta de 1320, com referências maravilhosamente trabalhadas. Mas chega de spoilers!

4. BoJack Horseman

Astro de TV decaído, BoJack é um cavalo tentando lidar com a decadência, o vício e a melancolia. BoJack tenta ser um cara lega, tenta recuperar sua glória, mas o vazio do mundo e o próprio egoísmo acabam tornando essa estrada bastante sinuosa.

Talvez o que mais chame a atenção na animação é que, mesmo tentando recuperar sua glória, BoJack é consciente de seus defeitos. E ele faz algo sobre isso? Nem sempre.

5. Paradise Police

Com um humor extremamente ácido e por vezes ofensivo, além de sexo e drogas, a série retrata uma força policial nada convencional, que tenta resolver os crimes bizarros que acontecem em sua cidade.

6. Brickleberry

Gostou de “Paradise Police”? A série tem uma irmã dos mesmos criadores com a mesma premissa, só que desta vez em um típico parque florestal americano.

7. Tuca e Bertie

Assim como em “BoJack”, em “Tuca e Bertie” os protagonistas também são animais. Tuca e Bertie são amigas na casa dos 30 anos, e enfrentam as questões sobre serem jovens adultas, como relacionamentos, emprego, grana e coisas do mundo “adulto”.

O humor fica por conta da diferença de personalidades das amigas. Tuca sempre alegre e até inconsequente, enquanto que Bertie é mais séria e preocupado, personificado um adulto bem comportado.

8. (Des)encanto

Dos mesmos criadores de “Os Simpsons”, “(Des)encanto” é simplesmente fan-tás-ti-ca! Sabe aquelas historinhas de princesinhas frágeis que todos já cansamos? Em “(Des)encanto” esse lero-lero é transformado em um saborosíssimo conto de fadas ao avesso, com uma princesa fora dos estereótipos que sabe salvar a si mesma, um gnomo triste em uma terra em que todos são felizes, e o meu preferido: Luci, o ácido e inteligente demônio pessoal, que não poupa esforços em dar uns conselhos podres.

Apesar de ter recebido críticas negativas, “(Des)encanto” sabe ser inteligente e inovadora ao abordar temas desgastados, como os contos de fadas, e trazê-los com uma roupagem fresca, engraçada e contemporânea.

9. Archer

Essa é uma série que poucos conhecem e raramente é citada. Com referências da por art e contornos marcados, “Archer” é uma série de espionagem cômica, cheia de referências da cultura pop, e com um humor super pesado.

A estética lembra até um pouco de GTA, não lembra?

10. Hora de Aventura

“Aaaaaaaventura vai começar!” Se você nunca cantou isso, certamente vai depois de começar a assistir “Hora de Aventura”, que conta com uma legião de fãs enorme.

Esse desenho louco, que se passa na Terra de Ooo, mostra Finn, o humano, e Jake, o cão, em uma sequência de aventuras nada convencionais.

Os personagens da série são extremamente interessantes, com formas inusitadas e personalidades marcantes, como a orgulhosa Caroço e o fofo Beemo.

Com um enredo bastante complexo, cheio de personagens, saltos temporais e reflexões, “Hora de Aventura” está entre as animações mais queridinhas da maioria.

11. Futurama

Sabe o meme “Shut up and take my money”? Ele vem de uma cena de Futurama, de Matt Groening, mesma criador de “Os Simpsons”.

Em “Futurama”, Fry é um entregador de pizzas que é acidentalmente congelado e acorda no século 31, que está repleto de alienígenas e coisas muito diferentes da época de Fry, criogenado desde 1999.

E o que acontece com Fry? Vira um entregador interplanetário! E claro, passa por situações doidas junto do mal-educado robô Bender e da ciclope Leela, além de outros personagens bem estranhos e claro, com todo o humor inteligente de Groening.

12. Os Simpsons

Impossível não conhecer “Os Simpsons”! O desenho é um verdadeiro clássico, e quase não haveria necessidade de colocá-lo na lista. Mas uma lista sem “Os Simpsons” seria um lista incompleta.

Acompanhar o cotidiano da família Simpson em Springfield rende muita nostalgia e boas risadas, e sem dúvida é uma animação para ver, rever, e ver de novo.

6 coisas que todos os designers sentem quando veem seus projetos publicados

Não importa o tamanho do projeto, se é carne fresca ou macaco velho na área, todo designer quer ver seus projetos publicados, e sempre bate aquela ansiedade.

Confira 6 coisinhas que passam na mente dos designer nesse dia de glória (ou de tragédia!).

1. Ansiedade doida

Você está começando, e o cartãozinho de visita da sua tia manicure chegou. Você não lucrou muito com o job (se é que ganhou alguma coisa), mas mesmo assim a ansiedade de abrir a caixinha da gráfica online e encontrar um monstro é enorme.

Bem, se você roer todas as suas unhas pelo menos sua tia pode dar um jeito.

2. Desapontamento

Daí você abre o pacote e nheeeeeem, vê que não era bem assim que sua arte foda estava na tela do computador. As cores ficarem estranhas, as fontes ou ficaram muito grandes ou muito pequenas, e não teve todo aquele impacto que tinha na telinha. Talvez fosse melhor você ter feito mais alguns testes antes de enviar pra gráfica.

E então você sente que talvez não seja o maior designer de todos os tempos…

Acho melhor eu… trancar o curso

3. Buscar justificativas (que tirem a culpa de você)

Ok, a merda está feita, hora de colocar a culpa em alguém, e é claro que foi a gráfica que não se comprometeu em cuidar do seu lindo arquivo como ele deveria. Ou, se você tiver um pouco mais de autoestima (e cara de pau), pode dizer que é uma obra conceitual e você se baseou em uma teoria muito doida da Bauhaus. Agora é só torcer pra desculpa colar…

Ah, pelo que me pagaram até que está bem bom…

4. Ou então o seu job pode estar realmente muito foda e você ficar super orgulhoso da sua prole

Siiim, tem vezes que o seu projeto fica muito bom! E daí você sente como se tivesse parido o seu maravilhoso Logo Júnior e fica super orgulhoso do seu lindo filho que vai conquistar o mundo (lágrimas para os mais dramáticos).

5. Cheirar

Não importa o que você tiver feito, um cartão, uma embalagem ou um avião a jato, você vai arrumar um momento em que ninguém está olhando para meter seu narizinho nesse material novo. Se for algo de papel então, nem se fala!

6. Repetir este ciclo eternamente

Não importa o seu nível, do iniciante ao mais básico, você sempre vai ficar ansioso, animado e desapontado com seus trabalhos. Então, se você tiver chegado no mundo do design agora, prepare-se, pois esse ritual é eterno, no CMYK ou no RGB, na alteração ou na aprovação, até que a morte os separe.